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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um sobre você


Você de terno e gravata fica bonito, e de bermuda e chinelo também. Segurando o cigarro numa mão e a cerveja na outra num crepúsculo de domingo num bar qualquer sorrindo para mim, fica ainda mais. Tirando sarro do meu cabelo ou com voz de deboche no telefone consegue ficar despresívelmente charmoso.
Com a voz rouca como a de quem acabou de acordar e a barba mal feita roçando no meu rosto, me engana com com suas palavras doces, enquanto me beija a boca afastando o juízo de nós, quando toca a minha pele e me puxa para mais perto.
Tira meu sossego quando aparece sem aviso prévio e me pega desprevenida no meu horário de almoço. Seu riso me inquieta e  no ritmo eu saio a dançar pelo quarto inundado de sentimentos, fazendo você alcançar meu passo e se juntar a mim, enquanto a melodia não só toca no ambiente, como toca nossas almas perturbadas. Querido, estamos na mesma sintonia.

                                                                   Rafaella Alvez

sábado, 27 de abril de 2013

Só de passagem


De certo modo foi bom. Me sentia atormentada por isso, porém era um tormento positivo. Foi um arrepio que subiu percorrendo toda a espinha quando você tocou minhas costas me puxando para perto. Sempre me desafiei a andar sozinha, sempre gostei da minha individualidade, aprendi que o singular é bonito e único, e me prendi a isso. Meus passos leves e sem compasso me flutuam até onde eu devo ficar e me arrastam quando devo ir, sem ao menos aviso prévio. Mas ali era o meu lugar, pelo menos por enquanto, e não só os meus pés estavam presos e intactos ao chão, mas, irredutível como ferro e imã eu me encontrava nos seus braços, somente podendo ouvir a nossa respiração. Seu sorriso assim como o meu era incontido. Eu 
queria reclamar da sua indiferença com algumas coisas e do timbre da sua voz quando chama meu nome com ar debochado, queria poder reclamar por você não assumir o controle quase nunca, mas sempre que o faz quero que pare. Não sei bem se era o perfume forte na sua roupa, que depois de um tempo se empregnou na minha, ou se foi o beijo já embriagado que despertou tamanha façanha, mas dessa vez mesmo eu sabendo que seria ligeiramente rápido, desejei ficar e sentir. Sua mão tocando suavemente meu rosto, enquanto a outra me puxa pra mais perto, seu sorriso de canto e olhar insaciável, nossos desabafos do dia, do trabalho, das aulas, as repreensões que na maioria das vezes sou eu quem faço. Detalhes que se prendem à memória e se questionam entre si. Mantendo os pés firmes no chão, e me afagando em seus braços, me encaixando numa posição para me sentir acolhida e confortável enquanto você me abraça e pede com o jeito mais delicado possível pra eu não ir, mesmo soltando a minha mão, me faz querer ir, mas não só ir para outro cômodo, outra sala, outro ambiente, faz querer ir embora, por que a mão que me puxa é a mesma que me empurra. Acho que isso é o que me mantém perto, por que com os poucos contras, temos todos os prós a favor. Tua blusa sempre foi ótima, cheirosa, quentinha, bonita e toda perfumada, mas sempre ficava grande demais em mim, e você fazia questão que eu a usasse, dizendo que ficaria mais perto de mim, mesmo sabendo que clamando por raízes, meu coração ainda possui asas e quer se aventurar.

                                                                       Rafaella Alvez

sexta-feira, 19 de abril de 2013

DEsencontro


A Paulista sempre teve seus encantos, luzes que nunca se apagam e pessoas movimentando as ruas todas as horas do dia ou da noite ... sempre imaginei São Paulo como uma MINI Times Square, e sem tanto glamour, MAS deixa assim. Era um dia frio, e como eu não costumo ficar por lá, quis comer num restaurante. Horário de pico, porque só essa hora se consegue uma mesa em 
algum lugar, enquanto todas as possíveis pessoas estão enraivecidas presas no engarrafamento, que aliás por mais difícil de acreditar, eu também acho bonito.
Gosto tanto de estar entre as pessoas, que não estar me faz mal, e , ali eu sempre me senti acompanhada, mesmo não estando,parecia que cada pessoa ao meu lado dividia sua história com a minha somente num olhar, mesmo que de relance ou até aqueles que não te percebem mas que a pressa une vocês. Me sentia extasiada quando acontecia isso, mas só durava o tempo do sinal 
abrir e pronto, virávamos formigas, pouco ordenadas, tentando não morrer atropeladas, até chegar à outra ponta.
Foi numa dessas que eu entendi que tanto cachecol no frio e câmeras a vista não funcionam muito bem ... poxa, eu sempre fui desastrada, mas não precisava esbarrar no carinha fotógrafo e quase quebrar todo o equipamento dele. Droga!
Até quando se esborracha no chão os olhares se conectam, mesmo que seja um olhar pedindo ajuda para levantar. Foi imediato, me pediu desculpas pela desatenção e fez cara de cachorro abandonado, enquanto eu bancava a dona enfurecida, sai resmungando e pisando duro rumo ao restaurante, parecia criança outra vez. Me apossei de uma mesa e fiz meu pedido, quando vejo o brutamontes que me derrubou materializado na minha frente e pedindo licença já puxando uma cadeira junto a mim. Quanta ousadia! O nosso DEsencontro tinha a trilha sonora da falação de muita gente, por que o lugar estava realmente lotado. E com gente vazando pelas janelas, o atendimento estava realmente muito lento, o que deu brecha para o espertalhão continuar com papos furados e conversas fiadas ... que me tiraram risos, sorrisos (confesso) e ainda descolei uma companhia, minha, só minha ... E quem diria que entre tantos desencontros, esse de maneira mais espalhafatosa, sem dúvidas, foi destinado a me encontrar.

                                                                              Rafaella Alvez


Ps: Sim eu sei que eu sumi, é que agora virei gente grande, trabalho e estudo, viva o/ haha. Mas vou fazer o possível pra não demorar taaaaaanto tempo pra postar aqui ta? haha. Bom esse texto eu fiz especialmente para a minha amiga Isabela Dorta, retratando de uma maneira diferente um acontecimento da vida dela, ta aí amiga, espero que goste *-* Beijos :)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Paraíso escuro


Fazia sorrir a entonação da voz dela dizendo que eu estava passando tanto tempo junto de você. Que você "tava em todas". Eu estava realmente me segurando para não escrever sequer uma linha com você no pensamento. Nem tinha tanto motivo aparente para isso, só o conhecimento, o que não é tão grande coisa. É que digitar tudo aqui faz parecer menos brilhante do que é, faz ofuscar qualquer luz que caia sobre nós. Só faz parecer mais importante do que deveria ser, ou o contrário, quem julga sou eu mesmo. Gosto quando não acontece nada. Gosto de encobrir os meus fatos por trás das minhas metáforas mal feitas também. Tinha uma tribo de gente que eu detestava em um lugar pouco cheio da cidade, e me irritava mais fazer e não fazer parte daquilo. Aí eu joguei tudo pro ar e cai exatamente onde deveria. Apesar de ultimamente você estar em todas, não era tudo por você, na verdade era tudo sobre mim, tudo por mim. Eu estava em todas, é só enxergar de uma outra perspectiva, a minha perspectiva de ver as coisas. Relatos me distraem e são pouco convencionais, mas é natural dizer que cappuccinos de universidades realmente decepcionam a gente. E que tem bancos que ficam enfincados na terra, presos com nossos momentos passados lá e que ninguém pode apagar. Eu peguei um óculos torto de um colega e comecei minha leitura, alternando o olhar e 
não entendendo nada que o livro dizia, porque obviamente literatura brasileira exige certa atenção e um dicionário Aurélio do lado, quando se trata de Graciliano, mas eu não tinha nenhum dos dois comigo. Tem pequenas coisas que se sobressaem nas pessoas, e eu realmente ainda não sei o que chama atenção em mim. Mas jogos meus dados, apostando no mistério que os óculos provocam, ou o livro fazendo um charme intelectual, mas o número que eu aposto mais alto é na minha vocação, todo mundo quer se ver escrito num texto meu, quer se encontrar descrito nas minhas linhas atordoadas e meus textos sem sentido aparente. Eu bem que poderia dizer que tudo começou a se encaixar, mas aquele quebra cabeça não era meu ... Eu era peça dele, eu sou um capítulo, faz sentido, por que eu vivo curtos períodos de tempo em cada novela mexicana alheia, mas não posso me enganar o paraíso escuro era meu, o quebra cabeça era eu e o que movia meu mundo era tudo aquilo que eu achava que sumia em mim, mas que no fundo fragmentava tudo aquilo que eu sempre achei que era. E na verdade, eu sou! 

                                                                         Rafaella Alvez



Ps: Oi gente, desculpa a falta de compromisso com o blog, é que esse ano tem aquela coisa de Enem e tem uns 9 livros pra resumo e um monte de matéria chata, então estou postando com menos frequência por falta de tempo mesmo, não abandonei aqui e nem vocês *-*

segunda-feira, 4 de março de 2013

Fitando o que é temido


Eu posso ouvir o barulho do silêncio ecoando por todo meu quarto, onde apenas encontro minha lamparina iluminando a escrita. É um agudo agoniante que surta os ouvidos. São as batidas do meu coração, a sua respiração assonada. A propósito gosto de como fica a sombra da minha silhueta na parede, mesmo me incomodando de leve. Odeio como casas acopladas me permitem ouvir ruídos madrugada a fora, o que me faz custar pegar no sono. Eu já estava me irritando com a decoração do meu quarto. E me irritava mais ainda você fazer parte dela, como o mais valioso tesouro ali dentro, que eu possuía e não possuía. O mundo estava caindo lá fora, mas aqui dentro tudo estava queimando como fogo ao redor do meu coração. Anoitecia em Porto Alegre, quando me transformei na filosofia em brasa, olhando teus lábios. Forcei um sorriso amigável, mas meu olhar denunciava minh'alma, e minhas mãos me traiam tanto quanto. O contrário seria o oposto do seu olhar pareando com o meu. Equilibrando a harmonia dos ventos, apostando no dia em que pudéssemos ser apenas dois viajantes no tempo, tendo o mundo numa ampulheta eterna, guardada no bolso do meu casaco folgado. Mas meu bem, por hora a dúvida é a única resposta que eu posso fazer valer a pena.

                                                                           Rafaella Alvez