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domingo, 23 de dezembro de 2012

Leveza


Era um dia comum, mas solitário. Eu estava de robe sentada na varanda, com meu cigarro e uma taça de vinho me fazendo companhia. Tinha música ambiente e luz de velas. O céu estava memorável. Eu me sentia bem olhando a cidade do alto.
Toca a campainha. Eu não esperava visitas. Abri a porta, me deparei com ele materealizado na minha frente, sem nada dizer com apenas um gesto o mandei entrar. Solidão a dois não seria tão ruim. O deixei a vontade, abri um pouco mais as janelas, ofereci um dos meus cigarros e peguei um cinzeiro só pra ele. Sem cerimônias, foi entrando, tirou os sapatos e as meias, deixando a mostra seus pés branquinhos. Me olhou de forma levemente maldosa debruçada no suporte do espaço aberto. Foi a cozinha e pegou minha garrafa de vinho. Sentou-se comigo, sentindo aquela brisa amena que só aparece nos outonos. Apagou todas as velas do meu apartamento, exceto a de cima do móvel mais alto. Sem conversas até agora. Ele estava mais despreocupado que eu, dava goladas direto da garrafa. Entre tragos e bebericadas veio me abraçar, dessa vez forte! O deixei a vontade e me beijou, sentia-se mais a vontade e confiante, deixou meu ombro a mostra. Fui para sala de estar e coloquei minha taça já vazia sobre a mesinha de centro. Sem pressa ele veio até mim, já embriagado, bateu no móvel fazendo minha taça mais querida, cair e se quebrar. Já não bastava meu coração? Me beijava forte, apertado, com vontade incessante. O deixei a vontade e por outra noite a fora desejou me amar. E por deixá-lo tão a vontade, apaguei a última vela, abri a porta e o deixei na vontade! 
                                                         
                                                               Rafaella Alvez

Ps: Pretendo voltar aqui só depois que essa época de festas passar. Tenham um ótimo natal e um próspero ano novo. Boas festas pessoal. Beijos!

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